Certa vez ouvi dizer que Guaratinguetá era a Atenas Brasileira, no entanto, depois de conhecer tantos ótimos autores, escritores, literatos, médicos, músicos, cientistas, poetas, juristas…. passei a entender que o Vale é uma Atenas, inclusive tive a grata oportunidade de conhecer e ser aluno de grandes intelectuais que reforçam o que eu digo.

No dia 20 de março de 2017, recebemos no Instituto de Estudos Valeparaibanos a visita de um entusiasmado aluno do Curso de Licenciatura em História do Centro UNISAL de Lorena, que foi até o instituto para pesquisar a literatura no Vale do Paraíba. E o entusiasmo deste aluno me inspirou a escrever algumas linhas sobre este tema, algumas ideias que venho acumulando ao longo do tempo.

Exponho aqui algumas dessas ideias, por que entendo que uma das maiores contribuições do Vale do Paraíba para a história do Brasil foi e tem sido no campo da literatura.

Apesar de toda vez que nos referimos ao Vale do Paraíba, as pessoas logo pensarem no café que trouxe grande riqueza para região ou até mesmo no ouro que abriu os caminhos do vale. Os próprios escritores e literatos da região não percebiam o tamanho das suas contribuições para o Vale.

Digo isto, por que, a exemplo de Euclides da Cunha, que ao escrever uma carta para o amigo escritor Coelho Neto, disse – os ventos que tocam as roseiras de Campinas, não são os mesmos ventos que tocam as palmeiras imperiais da minha melancólica Lorena. Ou mesmo, Monteiro Lobato em sua obra Cidades Mortas, escreveu – aqui tudo foi e nada é ! Não se conjugam verbos no presente tudo é pretérito. Esses dois escritores viveram o início do século XX, período em que o Vale realmente sofria uma decadência econômica e isso levou a região para um ostracismo social e cultural, porém eles não percebiam  a contribuição que estavam realizando, trazendo produções valiosas à luz do conhecimento coletivo. Em outro momento, na  metade do século XX, podemos citar a escritora de São Bento de Sapucaí – Maria Benedita Graciotti (Eugênia Sereno) que em sua obra O Pássaro da Escuridão escreve – aqui até as esperanças envelhecem! Tão intensa era a monotonia fruto desta economia que não tinha mais representação. Essas são ideias que permeiam o pensamento social da época e mostram aquilo que era visto e vivido por uma maioria da população, talvez essa esperança a qual se refere Eugenia Sereno, esteja ligada à necessidade de uma retomada econômica.

Porém não podemos negar as novas contribuições, podendo assim irmos mais longe no tempo e citarmos a escritora Ruth Guimarães de Cachoeira Paulista, admirada por grandes nomes como Antônio Candido e Guimarães Rosa. Este último, por exemplo, relatou que se não fosse Ruth Guimarães não existiria Guimarães Rosa, pois atribuía à Ruth o seu gosto pela literatura. Ora considerada fada, ora considerada bruxa, Ruth revolucionou a literatura no Brasil e apresentou o caipira e a cultura Valeparaibana para o mundo. Ainda neste caminho, citamos Barão Homem de Melo de Pindamonhangaba, Cassiano Ricardo de São José do Campos, Francisco de Assis Barbosa de Guaratinguetá e Miguel Reale de São Bento do Sapucaí, que ocuparam um lugar na famosa e Academia Brasileira de Letras, que levou muitos nomes para o Olimpo da Letras, possibilitando a esses a imortalidade.

Durante o ano de 2013 o Instituto de Estudos Valeparaibanos, realizou junto ao Jornal “O Lince” um fantástico Simpósio que tratou do tema. Na ocasião foram apresentados inúmeros autores, em pesquisas belíssimas que foram condessadas pelo presidente do XXIII Simpósio de História do Vale do Paraíba Prof. Alexandre Marcos Lourenço Barbosa, em dois volumes. Nestas obras podemos encontrar uma série de trabalhos que auxiliam a conhecer a história da literatura regional, pois acreditem, essa história é muito importante e valorosa para entendermos nossa região. Entendemos que é de crucial importância novas pesquisas sobre o tema.

Aqui falei sobre algumas ideias que povoam minha mente com relação a este tema, para o qual dedico carinho especial. Mas convido a todos a buscarem na história da literatura no Vale do Paraíba respostas às suas perguntas sobre a realidade social e cultural da região. Não tenho dúvidas sobre o que ela irá responder.

Aproveito para lembrar que o blog do site é um espaço que uso para apresentar algumas ideias e provocações, aqueles que quiserem saber mais ou opinar, por favor entrem em contato, terei prazer em atendê-los.

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