Os públicos nas redes sociais

Diego Amaro de Almeida e Lilian de Paula Santos

 

Aqueles que desejam entrar para o “mundo” das redes sociais enfrentaram diversos desafios. Sem dúvida, um dos maiores deles é a relação com o “gosto” público.

Uma velha expressão pode nos ajudar a refletir sobre o tema: “Não é possível agradar a gregos e a troianos”. Essa é a ideia que nos tem sido passada por séculos ao longo da história e que nos remete à antiguidade, quando os gregos quiseram vingar o “rapto” de Helena, a esposa do rei espartano, pelo príncipe de Troia. Não vamos entrar nos pormenores do épico conto de Ulisses, mas vamos pensar no que esse “não agradar” pode nos ensinar.

O acesso às tecnologias digitais permitiu que todos nós pudéssemos nos tornar criadores de conteúdos e, assim, atuar em vários “nichos” de temas. Todos, sem exceção, podem, do dia para a noite, conquistar, sem exageros, milhões de seguidores. Basta um smartphone e o acesso à internet para que o conteúdo que você “produziu” se torne “viral”, com uma “pandemia” de cliques e acessos globais.

Por outro lado, existe uma ideia de “cancelamento”, que quer dizer: se você falar algo que não agrade, você perde, em uma velocidade ainda maior, os “seguidores” que conquistou.  E esse é o ponto de partida da nossa reflexão. Para isso, é essencial que pensemos em algumas perguntas:

 

1 – Qual é a minha intenção ao produzir o conteúdo?

2 – Quem são as pessoas que eu desejo alcançar?

 

Se a sua intenção é conquistar “seguidores”, poderá sempre viver um paradoxo e nunca caminhar, pois seu conteúdo irá ser bom para alguns e ruim para outros. Não sabemos o que todos estão procurando, mas o que procuram: diversão, curiosidades, dicas… E por aí vai.  Mesmo tendo essa percepção, não saberemos quais diversões, curiosidades, dicas…

Precisamos compreender que meu conteúdo será útil para alguém e que, quando realizo essa entrega, estou à disposição de questionamentos e provocações. Precisamos lembrar que, da mesma maneira que temos muito a aprender, temos muito que ensinar. E, seguindo por esse caminho, alcançamos bons diálogos e temos a oportunidade de conhecer muitas outras coisas sobre o tema a que também nos agrada.

Hoje, temos muitas redes com um público mais que diverso. Mas, se pudéssemos generalizar de alguma maneira, compreenderíamos que seria assim:

 

  • Linkedin | 2002: um RH global. Dependendo da função que o usuário deseja dar para essa rede, é um espaço de conexão que pode e ajuda na busca de oportunidades de empregos e negócios. A rede tem crescido muito nos últimos anos e seu público é segmentado por pessoas que estão, de alguma forma, envolvidas com o “Business” e a criação de “network”.

 

  • Facebook | 2004: a praça pública. Lá todos os assuntos são levados para discussão e não existem filtros, a não ser aqueles impostos pelo próprio algoritmo do Facebook, o qual é responsável por provocar os espaços sociais segmentados por temas.

 

  • YouTube | 2005: sem dúvidas, é o maior espaço de conhecimento tácito da atualidade. Lá as pessoas criam vídeos sobre os mais variados assuntos. No entanto, o público associado à rede procura produções bem elaboradas pela comunidade de youtubers.

 

  • Instagram | 2010: lá encontramos um público mais exigente, no que diz respeito a imagens, que procuram por fotos que sejam bem trabalhadas e provoque a criatividade. Com a pandemia, essa rede cresceu com sua entrega em vídeos chamados “lives”, os quais permitiram que muitas pessoas pudessem alcançar públicos também com este tipo de conteúdo.

 

  • TiKToK | 2014: nasceu como Musical.ly. É uma rede que, apesar de possuir um conteúdo diverso, diferencia-se das demais por ter seu conteúdo produzido em vídeos curtos, que variam de 15 a 60 segundos. Seus usuários precisam ser objetivos, criativos e provocativos na entrega dos conteúdos. Seu estilo de vídeos, inclusive, provocou o Instagram a realizar uma mudança, criando os “reels”, que são vídeos de 15 segundos, os quais também podem ser compartilhados no TikTok.

 

Se desejamos estar em todas as redes, precisamos pensar em como produzir de forma diferenciada e, além disso, respeitar estilo, linguagem, tempo, horários, mas sempre visando a entregar o melhor, pois o engajamento espontâneo pela busca sempre será o mais adequado.

Uma forma de viabilizar a visualização do seu conteúdo é escolher bem as TAGS, já que estas serão responsáveis por permitir que o público encontre seu vídeo a partir de palavras-chave. Essas palavras podem ser generalizadas, e é importante que sejam, mas vale a pena selecionar chaves com maiores especificidades, para que o seu vídeo seja visualizado. Existem sites que nos auxiliam nesta tarefa, como o tagblender.net, onde você encontra palavras que mostram opções de TAGS para seus conteúdos. São muitas as ferramentas neste sentido.

O horário das postagens é um fator importante no que diz respeito às publicações, pois cada uma das redes possui o seu melhor horário de engajamento. Aqui deixamos uma dica importante para você que pretende encontrar e produzir conteúdos.

 

  • Linkedin: de segunda a sexta, às 7h, às 12h e às 17h. Estes são momentos de entrada, intervalo e saída do serviço, nos quais os usuários acessam com maior frequência seu feed.

 

  • Facebook : de segunda a sexta, às 9h, às 13h e às 15h. Nos sábados e domingos, o melhor horário é das 12h às 13h.

 

  • YouTube: no caso desta rede, os melhores dias são quinta e sexta. Sendo que entre 9h e 12h de sábado e domingo também tem uma boa frequência de engajamento.

 

  • Instagram: os melhores dias e horários são quarta, às 17h; quinta, às 17h; sábado, às 14h; e domingo, às 20h.

 

  • TikTok: nesta rede, os melhores horários são das 7h às 11h e entre 20h30 e 00h, de segunda a domingo.

 

Todos esses dados foram comparados em vários sites que analisam os melhores momentos de engajamento destas redes.

Para ajudá-lo nesta tarefa, prepare um calendário de temas e tipo de postagem que você vai realizar. É importante não deixar lacunas de tempo, pois aqueles que o seguem querem ver novos conteúdos. Para isso, existem programas, como o trello, que o ajudam nesta organização e outros que programam as suas postagens. Se você se dispôs a fazer algo, faça o seu melhor!

Depois de um tempo produzindo diferentes conteúdos para essas redes, percebemos que precisamos estabelecer em nossa fala objetividade e síntese, pois o tempo é curto e as pessoas que nos assistem têm pressa, principalmente em redes como o TikTok. Conforme realizamos as primeiras gravações, vamos nos habituando a apresentar os assuntos de forma tão dinâmica que se torna um problema voltar a explicá-los em vídeos de maior duração. Não que não possamos, mas percebemos que é possível tratar de certos temas com maior dinamismo, sem que estes fiquem vazios.

Nunca se esqueçam de uma coisa: não vamos agradar a todos, mas se o nosso conteúdo trouxe alegria, emoção e ajudou de alguma forma uma pessoa, ele cumpriu o seu papel.

 

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