Por Diego Amaro de Almeida e Lílian de Paula Santos

Entende-se pelo sujeito VOCÊ do texto um ser genérico, ilustrativo, apenas reflexivo).

 

Parte de mim curte sua postagem.

Parte de mim o repudia.

Parte de mim vota em sua causa, outra parte o sabota pelas costas.

 

Afinal, que ser humano sou eu?

 

Já pensou em quantas vezes você embarca em causas e projetos que não lhe cabem ou que não são de seu feitio, somente para se integrar? Mas como há maneiras de se integrar com o que não lhe cai bem?

A gente segue alguém nas redes sociais e a venera até a página 12. Até que ela vai e solta meia dúzia de verdades na página seguinte e você, na mesma intensidade do clique que a seguiu, torna-se “o corajoso do teclado” e a deleta de sua vida. Como se todo o aprendizado adquirido ao longo do tempo com aquela pessoa não tivesse valido de nada.

Memória de peixe ou ignorância mesmo!? Não sabemos dizer!

O “você” do texto nem sabe quem é. Então, como vai poder seguir alguém que lhe agrada sendo que nem compreende o que quer, seus anseios e expectativas.

Infelizmente, foi dado a todos o direito de vomitar palavras a torto e a direito sem saberem o quanto, de fato, elas ofendem. Ofendem, pois estão trajadas de falso elogio. O autêntico de hoje é grosseiro. “Algo de errado não está certo nesta nova concepção de mundo”.

Se você parasse para pensar no peso de um soco no tatame de MMA, perceberia que nem de perto ele é tão intenso quanto uma falsa curtida, torcida ou comentário.

O mundo dos corajosos das redes estragou amizades verdadeiras, relacionamentos forjados a muito sacrifício e vitória. O torcer pelo outro deixou de ser algo afetivo e autêntico para ser algo comercial e sazonal.

O que temos contra o mundo virtual? NADA! Ele deu voz para quem não a tinha, mas também ajudou a trajar ainda mais lobos na pele de cordeiros.

Certamente, você já deve saber quantas pessoas você bloqueou, cancelou, repudiou e se gabou por ter conseguido mostrar seu ódio, sem ao menos ter chegado a conhecê-las de fato e seu histórico biológico. Como se fosse uma conquista prazerosa e sádica, você comenta algo grosseiro e modal, pois, mais importante do que bloquear, é ser visto e reconhecido por sua maldade.

Sou talentoso, você pensa!

Faço sucesso, você acredita!

 

Enquanto isso, você nem imagina que sua postura no mundo real e de “bons modos” de convivência não está na moda e nunca estará.

 

Na mesma velocidade do uso de um copo descartável (13 segundos), você também se torna desprezível, esquecido e um ser inútil, que não serve nem para peso de porta.

Os idiotas de sua gangue também seguem perdidos por aí, mas, assim como você, mesmo depois de uma porrada dessas, cada um só está preocupado com seu umbigo, e nem sequer olha para o lado para se juntar com seu bando.

Enquanto isso, no mundo de práticas saudáveis de convivência, as relações de amizade seguem firmes, a torcida saudável pelo outro ganha novas vozes e agregados. Num campo fértil de amor, a intolerância pode até desabrochar, mas é, no mínimo, encarada com a maturidade de tamanho único que cai bem em qualquer ser humano.

“Ser ou não ser, eis a questão!”. Na célebre frase dita por Hamlet, podemos buscar a inspiração para refletirmos ainda mais sobre esse tema, que envolve nossa posição nas redes sociais.

Diríamos que tudo está conectado à EDUCAÇÃO, pois a verdadeira educação promove o diálogo e não a discussão, acolhe e não exclui, busca entender e não condena, informa-se e não simplesmente inicia um duelo por “paixões esportivas”.

Qual a necessidade de atacar as pessoas nas redes sociais? Por qual motivo usar de tamanha violência?

É essencial a busca pela compreensão; afinal, todos têm seus motivos, pois vivemos em uma sociedade multicultural, diversa e nem um pouco homogênea. Esses pontos já deveriam ser o motivo para você pensar duas vezes antes de provocar qualquer ataque nas redes. Acolher ideias e transformá-las no diálogo sempre será a melhor opção.

Uma grande falta é a EMPATIA. Você quer que todos entendam suas dúvidas e aceitem seu modo de ser! Mas quantas vezes você fez o mesmo?

As redes têm mostrado cada vez mais que a empatia é coisa que pouco temos alcançado. A cultura do cancelamento invade cada dia mais nossa vida. Como se pudéssemos simplesmente “deletar” as pessoas e os problemas. Com isso, afastamo-nos ainda mais da solução, sem percebermos que, na maioria das vezes, “lutamos” pelas mesmas causas, por problemas comuns.

Com o mínimo de paciência e afeto, podemos desenvolver a sociedade que buscamos, pois, acredite, buscamos as mesmas coisas, o que mudam são cores e sabores. Mas no fundo todos nós desejamos nossos direitos, entre eles, sem dúvidas, o de nos posicionarmos. Que isso seja feito de forma madura e não do “postei e saí correndo”. Sejamos mais ouvidos do que boca; afinal, como diz um velho ditado, “temos uma boca e dois ouvidos”, o qual, por sinal, era um bom ditado para nos provocar a empatia. Quando realmente escuto o outro, percebo suas inquietações e respeito suas opiniões.

Aqui tenho uma imagem do LinkedIn que postei. Pode ser uma foto nossa também. Um simulando ouvir e outro tampando a boca.

É preciso que você aprenda a usar os recursos que o mundo digital lhe concedeu. Temos uma ferramenta sensacional que pode construir uma sociedade integrada e próxima.

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