Era um grande nome – ora que dúvida!

Uma verdadeira glória.

Um dia adoeceu, morreu, virou rua…

E continuaram a pisar em cima dele.

(Mario Quintana)

 

A epígrafe acima nos ajuda a refletir sobre a questão das homenagens, pois não é porque alguém decidiu que “certa” pessoa é digna de recebê-las que ela estará livre das críticas e repreensões. No entanto, existe uma grande diferença entre as pessoas homenageadas e as homenagens. E a falta de compreensão dos motivos pelos quais erguemos certos tributos em forma de estátuas é a causa de muitos problemas, pois ninguém faz alguma homenagem a uma pessoa por todos os atos de sua vida. Se fosse assim, as ruas seriam números e não teríamos hermas, estátuas, bustos em praças. Fazemos a homenagem para uma virtude. Bravura, determinação, resignação… Mas, como não olhamos para a história, falhamos em muito da nossa compreensão.

Monumentos são obras de arte, patrimônios públicos, e se você não consegue conviver e respeitar o que pertence aos outros, por que os outros precisam conviver com você?

As estátuas de figuras históricas não são as figuras históricas. Parece óbvio, mas precisa ser dito. Figuras escolhidas para representar um tempo são símbolos e representam virtudes humanas de uma época. Mesmo que um dia as virtudes que as colocaram como monumentos passem a ser vício, ainda assim o que valerá será o valor que a elas foi atribuído no tempo da concepção.

Que frágeis são essas pessoas que não conseguem conviver com o passado e pensar nele como um “professor”, alguém que ensina não só lições fáceis, mas de toda a natureza. Queimar e destruir uma obra de arte é o cúmulo da ignorância, atos de pessoas de que, inclusive, devemos questionar as habilidades cognitivas.

Aquele que queima ou destrói, pois vê em um destes monumentos a intolerância, é sim mais intolerante do que a figura representada. Afinal, ela, em seu tempo, foi “herói” de alguém e cumpriu com aquilo que era visto como certo em seu tempo. E, se fosse julgado, deveria ser julgado naquele período.

Agora, esses que cometem tais atos de vandalismo devem ser julgados no nosso tempo com o rigor da nossa lei. Opressão maior fazem esses que destroem o patrimônio, a história. Eles se dizem oprimidos, mas nunca aceitam posição contrária às suas. Tentam impedir as pessoas de pensar e sentir livremente e tornam-se ainda mais violentas do que qualquer figura histórica que condenam.

Querem se opor? Oponha-se ao presente, pois o passado pertence a outras pessoas. Temos que nos ater ao que desejaram provocar em nós ao celebrar alguns “heróis”, e coloco entre aspas porque o herói de alguém sempre será o vilão de outro.

Não se deixem enganar, hoje aqueles que se vangloriam do vandalismo cometido não são melhores do que aqueles que cometeram, no passado, coisas que julgamos erradas em nosso tempo.

Agora, vocês sim! Vocês que querem destruir, e destroem, patrimônios deveriam ser punidos no mais alto rigor.

Não sou descendente das grandes casas do passado. Meus antepassados estão ligados ao trabalho no chão, nas roças. Mas todas as vezes que olhei para um destes monumentos, foi com deferência, pois sentia que no seu tempo foram pessoas que simbolizavam virtudes e venceram dentro daquilo que foi dado como correto e necessário.

Pessoas mesquinhas que acreditam que destruir o patrimônio histórico é uma necessidade são fracas. O passado não se apaga, mas se acolhe, com ele se aprende a conviver, respeitando-o, pois ele é o principal ingrediente para que possamos avançar e melhorar nossos atos. Olhe para o passado e tenha a força que tiveram essas figuras para mudar aquilo que ainda não nos representa no presente. Mas respeite a memória daqueles que acreditaram no que estavam fazendo, daqueles que escolheram certos monumentos como símbolos, porque do contrário estaremos cometendo os mesmo erros e acreditando que estamos corretos.

Só peço que reflitamos um pouco mais e ataquemos aquilo que realmente nos afeta no presente, e não no passado. Porque o passado é um fato que ninguém é capaz de mudar e não possui toda a compreensão para julgar. Que nos concentremos no presente e nas nossas ações.

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