Temos dois ouvidos e uma boca! 

Assim diz uma expressão popular, na qual se observa uma sabedoria sem igual. Nos faz lembrar que, ao observar nosso corpo, podemos compreender que ouvir é o mais importante.

Permita-nos recorrer a outra expressão popular.

O papagaio que vale mais é aquele que observa.

Será que estamos ouvindo ou escutando melhor? Assim como falar pode ser considerada uma arte, o escutar é uma condição que exige de nós ainda mais técnicas do que o comunicar.

Somos uma sociedade formada por indivíduos que, em sua maioria, ama falar, se posicionar e defender seus ideais. Mas será que escutamos? Será que estamos atentos aos outros? Se observarmos os últimos tempos, acho que os pontos associados à audição deixaram de existir.

Ansiedade, arrogância, intolerância, carência são inúmeros os sentimentos que permeiam essa condição de mundo.

Afinal, desde a história antiga, nós nos gabamos e salientamos os grandes oradores. E quase nunca os observadores.

Ser ativo = fala;

Ser passivo = escuta.

Também nos gabamos que o ser humano é a única espécie que produz conteúdo sobre si mesmo. Mas esse conteúdo é também construído, em grande parte, pela observação dos fatos.

Tesla observou e criou; Darwin observou e criou. Inúmeros cientistas atuais também observam e criam.

A linguagem, mais do que as palavras, expressa sentimentos, e, por isso, deve ser percebida com atenção. Pois, além do dito, existe o não dito (sentimento, expressão etc) ouvidos e olhos atentos perceberão.

Escutar, acolher, estar para o outro.

A arte de observar nos ensina a mansidão da vida. Mostra que o silêncio não é apatia e que, de fato, o ouvir é aceitar o próximo em sua integridade.

Em tempos de tanta intolerância, aproveitamos para dizer que ouvir uma opinião diferente é praticar além do observar, é também nos abrirmos à existência de uma visão muito diferente da nossa. Nem que seja pra dizer – Isso não serve pra mim.

No fundo, vamos perceber que vivemos os mesmos problemas, que lutamos pelos mesmos ideais e que possuímos soluções distintas que juntas podem fazer a diferença.

Não podemos esquecer:

Dialogar é falar, mas também ouvir!

Realmente escutar o que o outro diz.

Aqui vos fala dois seres que seguem dialogando um com o outro. Aprendendendo e desaprendendo.

‌Até a próxima.

unnamed

Compartilhe