Assim como alguns temem um grande monstro, há outros que temem a democracia. Temor compreensível, caso não tenhamos noção desse importante exercício.

Somente dia após dia, estudo atrás de estudo, cases e mais cases, é que venceremos! Afinal, para nadar de braçada, precisamos conhecer. Um belo espetáculo de dança torna-se prazeroso de ser visto e nos provoca a sensação de que foi fácil chegar até ali. Mas é somente nos bastidores que conhecemos e podemos contabilizar as horas e mais horas transformadas em dia de treinamento. De tanto treinar, o dançarino se torna dono de sua arte.

E foi também pelo conhecimento que a humanidade chegou a esse nível complexo de regime político. O que difere a democracia dos outros sistemas de governo não é apenas o fato de escolhermos nossos representantes, mas, sim, para além disso, pois os que governam não têm poder para agirem sozinhos. De nada eles têm em comum com aqueles que governaram em outros tempos e que agiam por conta, decidiam, não dando aos seus servos nem mesmo o direito de optarem em não fazer, já que as punições daquele tempo poderiam levar a pessoa à ruína ou até mesmo à morte.

A democracia é o único sistema que nos cobra a “responsabilização” independente de em quem nós podemos votar. E somos nós (todos nós) os responsáveis pela democracia, pelo governo.

A nação não se trata de um barco que navega conforme a maré, ou mesmo é trapaceada para afundar em mares profundos. Se desejamos um Estado moralizado, precisamos começar a moralização em nossa vida.

Já ouviram o ditado: “A palavra convence, mas o exemplo arrasta”? Então, no que estamos pecando? Se pudéssemos apostar, cremos que seria no fato de não termos entendido até agora nossa condição de cidadão.

Desde os tempos mais remotos (do preto e branco rsrsrs) da humanidade, sempre fomos submetidos à presença de um “líder”. Aceitávamos aqueles que, com força, pudessem nos guiar contra os perigos, que eram diversos, e na busca das muitas necessidades que possuíamos. Mas, com o tempo, aprendemos a plantar e nos tornamos sedentários. Nesta época, o “líder” era aquele que nos defendia de outras tribos e nações, porém ainda uma posição à qual os demais eram condicionados com certa submissão.

O mundo caminhou (agora colorido) e a política também. Tornamo-nos repúblicas democráticas e deixamos de ser servos para assumir a posição de CIDADÃO. Só em 1789, com a Revolução Francesa, é que alcançamos ideias que nos fizeram compreender esse novo destino. Mas, ainda assim, não o nosso papel.

O que precisamos para ser cidadão, sem, de fato, esperarmos os milagres de um “Salvador”, o qual seria ainda esse “líder” tribal a que aprendemos a obedecer e dele tudo esperar? São milênios que nos separam de um passado. E continuamos agindo da mesma maneira, ou seja, acostumados a não fazer nossa parte. Algo cultural e fortemente enraizado. Ainda bem que é cultural, pois a cultura é viva e pode ser transformada. O trem sempre para nas estações para novos embarques.

Então, voltemos ao conceito de democracia…

Democracia é o modelo que precisa compreender que o DIREITO é do indivíduo e o DEVER é do cidadão, e ambos se traduzem em liberdade. Uma constituição é a garantia de cidadania! Dela até podemos discordar; afinal, ela mesma admite emendas, mas jamais descumpri-la. Temos o livre-arbítrio, que também não nos isenta do respeito mútuo.

 Em um sentido mais amplo, liberdade é saber, é conhecer. Por isso, também, em certos momentos, as pessoas perguntam: “onde está a liberdade? Se sou livre, eu tenho que poder escolher”. Pois é, você é livre para escolher, desde que a sua escolha não venha ferir a liberdade do outro.

Aqui cabe dizer que buscamos apenas um relato de cidadania, sem nenhum viés político. Pegamos aqui um exemplo muito atual: a condição da vacinação. Podemos até não concordar, mas será que podemos não “tomar” a vacina? Se eu não tomar uma vacina, estou ferindo a liberdade alheia, e, neste caso, a minha liberdade não pode ser respeitada, pois o “mal” que posso provocar não se resume a mim. E, neste sentido, cabe-nos a reflexão de nossos hábitos.

 No impulso imediatista da sociedade, cabe-nos remar a favor do barco, sem acelerar e nem lentear demais. Remar juntos não necessariamente nos faz homogêneos, mas, sim, seres plurais e que somam à cultura do outro.

Sem esquecer que o voto é o primeiro passo para a cidadania, seguido é claro do ato de tomar para si as responsabilidades da nossa constituição federal.

Nos atos mínimos do nosso cotidiano, respeitar questões básicas, como atravessar na faixa, descartar o lixo de forma correta, ter atenção ao consumo de água. E por aí vai!

Não é difícil, é questão de hábito.

Lembre-se que só a sua ação será capaz de provocar a mudança essencial para todos.

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