A atualidade tem garantido espaços e condições às mulheres que antes só eram “pertencentes” aos homens.

Quando as mulheres, porventura, desempenhavam alguns dos papéis masculinos, era simplesmente por necessidade cotidiana e, ainda assim, “invadindo” minimamente o “mundo” que não era delas.

Os séculos passados impediam as mulheres de serem aquilo que elas queriam, já que os homens ditavam como elas deveriam ser, sentir, comportar-se. Até mesmo seu sorriso era algo controlado pela sociedade. Sem possibilidades de serem humanas, viviam presas às condições impostas pelo masculino.

A mãe, sempre comparada à Nossa Senhora, tinha que buscar, da forma que era possível, sempre parecer a Virgem Maria.

Foto: à esquerda, Maria Augusta de Oliveira (1879). À direita – banco de imagens do CANVA (atual)

Muitas mulheres tiveram que agir, conforme as exigências da sociedade de seu tempo. Porém, mulheres como Maria Joaquina de Almeida, viúva fazendeira, ao se perceber obrigada a assumir o papel de mando, mantinha a fisionomia das regras da época, usando luto por toda a vida, após a morte do marido, e não fugindo das regras de convivência social do seu tempo, mas exercendo com maestria a administração das fazendas e dos negócios do café.

Sua vida foi pontuada pela imposição e superação do papel tradicionalmente reservado às mulheres na estrutura social e econômica da época, principalmente durante o período de viuvez, deixando transparecer a delicada trama do tecido conjuntural no qual viveu. […] (ALMEIDA. D. A. Maria Joaquina de Almeida: a Senhora do Café. Cachoeira Paulista, SP: MTB, 2016).

Novamente, ao observarmos o passado, vemos as mulheres, no século XVII, no Brasil.  Dona Mariana de Souza Guerra e Dona Ana Pimentel (Capitãs Donatárias das Capitanias de Itanhaém e de São Paulo), responsáveis por processos de colonização. Caso curioso, porém comum. Situação que demonstra que, sempre que necessário, as mulheres assumiam posições importantes em cada tempo. Acreditem, se fôssemos citar cada uma delas, sem dúvidas, mil páginas seriam pouco para retratá-las.

O tempo passou e, dia após dia, as mulheres foram conquistando seu lugar. Ainda estamos longe do ideal, porém caminhando. Neste ponto, temos algumas perguntas que devemos fazer, de forma a manter as mulheres em um caminho de liberdade, no qual as posições já não as façam reféns de ideias, que não respeitam sua maneira de se sentirem integrais.

O que é ser mulher no século XXI? Uma pergunta simples com uma resposta complexa. Ainda mais se pensarmos que as mulheres podem ser tudo o que elas quiserem, desejarem ou sonharem. Não há mais limites legais, como até pouco tempo observamos.

A questão é: quando vão realmente permitir que a mulher seja mulher no mundo do trabalho? Afinal, nosso mundo ainda é pensado para os homens, espaço em que a maioria das questões compreende os aspectos biológicos masculinos, e o feminino é obrigado a se adaptar a eles ou deixá-los.

Como podemos mudar essa condição? 

Simples! A exemplo dos homens, as mulheres precisam de representação. Uma mulher pode compreender melhor na pele o que outra mulher pode precisar e sentir.

Ao mesmo tempo, percebemos o nascer de certos discursos que querem impedir a mulher de escolher, os quais, disfarçados de defesa, têm como intuito obrigar as mulheres a uma falsa “liberdade”. Contexto este em que elas acabam vítimas de um discurso.

Basta observar algumas mulheres em diferentes papéis, que, mesmo se vendo obrigadas a agir como homens, desempenham com maestria sua função e garantem um toque típico do feminino.

Existe uma infinidade no “ser” mulher, nas formas do feminino. Tomamos a liberdade de pensar em três possibilidades distintas de mulheres, para ilustrar possibilidades deste vasto mundo que o feminino pode ocupar, e a partir destes exemplos, podemos pensar em muitas outras formas de ser.

Mulher 1: adora o brilho, o conforto, o dourado. Aprecia a sofisticação, coisas e situações que lhe tragam conforto e beleza.

Mulher 2: querida, carinhosa, preocupada com todos ao seu redor e que se destaca pelos seus dotes culinários e cuidado na alimentação das pessoas que ama. Costuma ser extrovertida e assumir a liderança da casa. É muito respeitada pela sua sabedoria e pelo seu comando.

Mulher 3: sempre ativa e, no farol, mantém os desafios. Adora criar, não fica parada e sempre está em busca do seu objetivo, com muito foco. Inteligente, altruísta e vaidosa. De presença marcante, está sempre disposta a agir e assumir o controle das coisas.

Você, mulher, se viu em algum desses perfis? Reconheceu a mãe, a amiga, a irmã em algum estereótipo? 

Aqui, baseamo-nos em características de alguns arquétipos, melhor compreendidos pela psicologia, como forma de dizer que há muita riqueza intelectual, espiritual e física em cada mulher. Não importa que seja a Afrodite, a Deméter ou a Atenas. Não importa que hoje elas se trajem de Priscilas, Pietras e Marias. Nem que sejam Paulas, Antonietas e Elizetes.

Todas elas, sem distinção, têm no íntimo biológico algo que as diferencia e que as faz seres únicos. Cada uma leva consigo a maternidade manifestada de diversas maneiras. Seja no gerir um ser, seja no cuidar de um cão, gato e até de um lar de idosos. Seja na forma como cuidam do mundo onde estão. No fundo, elas só desejam caminhar livres para pensar, executar e ser.

Longe de ser um discurso feminista. Até porque aqui lhes falam uma jornalista totalmente “livre” desse conceito e mais atrelada à visão dos dois mundos (masculino e feminino) e um historiador, escritor, estudioso de gênero e admirador do feminino.

Ambos pensam que as vitórias dos gêneros devem ser comemoradas aos mesmos moldes. E o eco para o feminino vai ser menor, pois o megafone mais potente ainda está nas mãos do homem. Muitas vezes, o equipamento nem funciona, mas faz um barulho (rsrsrs).

Comemore a vitória do outro, comemore a conquista delas e deles. E saiba que cada um contribui com sua particularidade e peculiaridade na construção do mundo e das histórias.

Até a próxima.

Que prazer ter você AQUI!

unnamed

Compartilhe