Eu mesmo, um estudioso no assunto, chego até a ficar com medo da Loira do Banheiro, de tanto que me perguntam, são histórias do passado e também do presente.

De tanto ser indagado, um texto acabei produzindo.

Guaratinguetá é uma cidade cheia de mitos e lendas. Sem dúvidas, uma das maiores é a da LOIRA DO BANHEIRO. A famosa loira vem assombrando gerações desde o começo do século XX.

No entanto, seria a Loira do Banheiro a filha do Visconde de Guaratinguetá? Muitos acreditam que sim! Eu também nunca tinha duvidado, até começar a investigar um pouco mais essa história.

Pois bem, a lenda urbana LOIRA DO BANHEIRO, surgiu em um momento interessante da história da educação no Brasil, quando os grandes templos eram erguidos para educação pública.

Aqui cabe uma observação, muito familiar a todo o leitor.

Independentemente do tempo, aluno sempre foi arteiro. E no começo do século passado não era diferente. Muitos professores “contavam” ou “criavam” histórias para manter a ordem e a atenção dos seus alunos.

A lenda urbana, ” LOIRA DO BANHEIRO” surge, neste período, e  segue como sendo verdade e assombração em várias escolas.

Vale ressaltar que, em Guaratinguetá, tinha uma história a mais que daria uma nova identidade à essa lenda, era a vida de Maria Augusta de Oliveira, filha do Visconde de Guaratinguetá – Francisco de Assis Oliveira Borges.

 

Maria Augusta 14 anos

 

Maria Augusta nasceu em Guaratinguetá no final do ano de 1864. Com seus 14 anos foi obrigada a se casar com um importante senhor,  Dr. Francisco Antonio Dutra Rodrigues, que entre as inúmeras coisas que fez em sua vida, foi também presidente da província de São Paulo, o que nos dias de hoje equivale ao cargo de governador do estado. Mas não podemos dizer que Maria Augusta foi tão feliz neste casamento. Naquela época os enlaces matrimoniais eram arranjados, mas será que o marido também o era? Pois bem, quando o pai de Maria Augusta faleceu, ela tomou uma decisão: “roubou” suas joias e fugiu dizendo que nunca mais iria voltar, pelo menos é o que consta em um processo do ano de 1886 que anula o seu casamento.

Neste ponto surgem várias histórias sobre o que teria acontecido com Maria Augusta. O que sabemos e podemos confirmar é que ela passa um tempo vivendo na França, retorna para o Brasil, momento em que ocorre a anulação do casamento. Depois ela teria se apaixonado por um outro importante homem do império o Visconde de Figueiredo, no entanto, o romance não durou muito tempo e ela voltou a morar na França.

Novamente muitos mistérios surgem, fato que ela viveria por mais alguns anos, até  falecer aos 26 anos, em abril de 1891. Seu corpo foi embalsamado e enviado ao Brasil, para sua terra natal Guaratinguetá.

Ao chegar no seu destino a Viscondessa de Guaratinguetá, mãe de Maria Augusta, teria impedido o corpo de ser enterrado, deixando exposto meses em uma alcova (quarto sem janelas) da chácara dos Viscondes de Guaratinguetá, até que em um dia, segundo a história que o povo conta, a jovem teria aparecido em um sonho pedindo para a mãe que fosse sepultada. E o sepultamento aconteceu em uma bela capela no cemitério do Senhor dos Passos em sua terra natal.

Pois bem, o que acontece nesse meio tempo? E por qual motivo a história de Maria Augusta está atrelada à lenda urbana a LOIRA DO BANHEIRO.

Primeira situação, como dissemos o corpo de Maria Augusta foi velado por muito tempo em um dos cômodos da chácara dos Viscondes, mais tarde está chácara foi vendida para o governo e transformada em uma dessas escolas que o novo governo republicano estava implantando por todo país.

Segunda situação, Maria Augusta supostamente teria aparecido para a mãe, o que reforça a ideia de uma aparição.

Terceira situação, como também apresentamos, a lenda urbana vinha sendo contada em várias escolas do estado, em Guaratinguetá, o que ocorreu foi uma coincidência, a história de Maria Augusta se uniu à lenda, o que ampliou ainda mais o alcance e os mistérios que a envolve.

Essa é uma pequena ideia de uma pesquisa de dez anos!

Contar o que estou contando, não é com a intenção de acabar com mito e sim dar lugar  à Maria Augusta na história, uma figura que viveu em um tempo e teve sua importância, já que sabemos que todos somos parte da história. Eu mesmo tenho uma dívida de gratidão com essa lenda, pois foi a partir dela que tudo começou, no que eu posso chamar de minha vida acadêmica, foi no meio da curiosidade desperta por ela, que iniciei muitas das minhas pesquisas, e entendi o meu papel enquanto historiador.

Lembro que o Blog é para compartilhar algumas ideias e aflições, e que ficaria muito feliz em expor minhas pesquisas com relação à Maria Augusta e a outras figuras do nosso Vale do Paraíba.

Aqueles que desejarem saber mais, fiquem à vontade para me enviar-me um e-mail diego@diegoamaro.com

 

 

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