Nunca na história desse mundo contemporâneo a morte esteve tão latente.
Ela segue sendo a protagonista num contexto de pandemia.

Segue sendo a dor final de quem fica com seus cacos de lamento para serem remendados.

A morte a que estamos nos referindo é aquela que cessa a vida física. Há um tempo previsto que se determinam pra vivermos o luto, estabelecem até alguns dias para entender, digerir e caminhar novamente.

E dizem para você: Vai passar, você será confortado. Ele ou ela estão em paz. E você tenta ao longo de seus dias, como um mantra, repetir que isso é verdade.

Mas o que se discute aqui é que, para além da morte física, o que não estamos tendo tempo de deixar as pessoas enlutadas em seu canto, pois todo dia elas estão sendo lembradas que a vida cessou aqui, ali, aqui, ali novamente, seja por COVID ou por outra doença, acidente e demais fatalidades, há a morte da dignidade, da coragem, do anseio pela esperança. Há mais de um ano estamos assim.

O retrato de família parece mais vazio em números e alma. Um pai tenta olhar para o seu filho com a certeza de dias melhores, mas ele não tem isso como sua força base. Como transbordar esse conhecimento aos seus se isso lhe falta?

Com essa condição, lá do espaço, um observador da terra diria: estão todos meio perdidos no planeta azul. Acho que agora a sociedade deu bug, pifou. É o fim!

Mas é aí  que se percebe a enorme  capacidade de adaptabilidade inerente ao ser humano.

Ele aprende com a dor. Ele cresce no campo infértil e  passa a transmitir novamente aquela essência que o faz vivo.

E, mesmo vivendo com a dor, a dúvida, o medo, a saudade e até a indiferença, todos os dias ele encara a vida de frente. Afinal, não há outro meio.

E, quando vê, no mar revolto, encontra quem reme contigo.  Se separa com quem prefere remar a furar o barco. Com quem torce pela sensatez do piloto, ao invés de vibrar pela queda do avião. E dança ao mesmo som da música desse novo anjo que surgiu em seu caminho.

A partir daí, ele seleciona o que vale realmente a sua atenção e a sua alma por inteiro. Pois, ninguém pode ser do outro se não é, antes de tudo pra si.

Seja para si, cuide de si. Fazendo isso, você  pratica a doutrina do todo, e se alimenta de cuidado, amor, empatia, gratidão.

E mesmo com tudo isso, ainda haverá dúvida, revolta, medo, a certeza de que a vida é um sopro, e isso fica tão evidente quando perdemos os nossos entes e vemos que eles eram inseputáveis e, portanto, deveriam ser  inseparáveis de nós. Mas não está no nosso comando.

A diferença é que a prática de um equilíbrio diário te dá base para chorar e agradecer ao mesmo tempo. Para se cuidar e cuidar do outro indiretamente. De ser exemplo ao próximo como fonte de cooperação sistêmica.

De fato, a gente não sabe nada de nada. Mas desejamos que com essas novas práticas, que, ao menos o ser que está em algum lugar nos observando, tenha orgulho dessa sociedade de aprendizes.

Até a próxima!!!!

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